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Criação de uma época desportiva:

Definição de macro ciclo:

O macro ciclo é um planeamento anual da época pretendendo obter objetivos a longo prazo, os objetivos conquistados entre microciclos e meso ciclos levam à conclusão dos objetivos do macro ciclo, porque o macro ciclo não especifica um objetivo, mas sim, vários objetivos que depois têm de ser concretizados ao longo do ano.

Em geral, quando se fala em planejamento do processo de treino, alunos de graduação e até mesmo profissionais da Educação Física começam a pensar diretamente nos exercícios que serão realizados. Isso acaba sendo um erro, pois o macro ciclo é o primeiro aspeto a ser planejado, visto que a periodização deve partir de uma visão geral para uma visão mais específica dos componentes do processo de treino.

Definição de meso ciclo:

O meso ciclo é um planeamento mensal com objetivo a médio prazo, ou seja, nem curto nem longo, um meso ciclo normalmente é formado por 4 microciclos existem vários tipos de meso ciclos que devem ser aplicados em situação especificas, basicamente se queremos que o atleta atinga um determinado objetivo, o meso ciclo precisa de ser planeados para que o atleta atinga o que queremos durante esse meso ciclo, apresento a seguir os tipos de meso ciclos que podem ser aplicados:

  • Meso ciclo introdutório - É geralmente aplicado no início da época e tem como objetivo preparar os atletas de forma progressiva, para que estes possam suportar as cargas de treino específicas. O seu treino consiste na melhoria da potência máxima e da resistência aeróbia, através de um volume de treino preparatório geral com maior prevalência de treino de força, velocidade e flexibilidade e reduzido volume de treino específico.
  • Meso ciclo de base - tem como função melhorar as capacidades funcionais dos principais sistemas orgânicos e funcionais. Nesta estrutura, dá-se ênfase ao elevado volume e intensidade do treino com aumento da frequência de sessões fortes, obrigando a uma gestão do esforço através da divisão dos meso ciclos em: Meso ciclo de desenvolvimento; Meso ciclo de estabilização; Meso ciclo pré-competitivo; Meso ciclo competitivo; Meso ciclo de preparação; Meso ciclo de recuperação.
  • Meso ciclo de acumulação - Neste meso ciclo deve ser dada especial atenção ao trabalho de força, que serve de base e ajuda a potenciar o posterior desenvolvimento de outras capacidades. Além disto, também deve ser dada muita importância ao trabalho aeróbio, de forma a melhorar os potenciais oxidativos e contráteis dos músculos. Este trabalho é compatível com trabalho de aperfeiçoamento técnico e correção de erros.
  • Meso ciclo de transformação - Este meso ciclo combina a melhoria simultânea das capacidades especificas e determinantes na competição. Nesta estrutura, o treino é de alta intensidade e volume, afeta a estabilidade e causa muita fadiga. Este tipo de meso ciclo caracteriza-se por carga máxima e acumulação de fadiga.
  • Meso ciclo de realização - Neste meso ciclo o objetivo principal é a preparação física integrada, incluindo geralmente trabalho de velocidade e tático, relacionado com a especificidade da competição. Nesta fase, o treino deve incluir exercícios anaeróbios, pois parece que este tipo de trabalho em atletas de elite, tem-se mostrado muito eficaz na potenciação da capacidade física específica para as competições. De forma a estimular as adaptações no organismo e as capacidades de velocidade, os atletas devem treinar sem estar sob grande efeito de fadiga.

Definição de microciclo:

Os microciclos são o tipo de planeamento mais curto que há, pois eles são planeados apenas para 7 dias da semana e na maioria dos casos são menos de 7 dias, então é um planeamento muito curto que normalmente pretende obter objetivos de curto prazo e em contexto de competição, depende do desporto, mas neste caso falando do futebol, normalmente são feitos para atingir um objetivo para o jogo da mesma semana.

A estrutura do microciclo é definida pelo número e características das sessões de treino, pela magnitude da sua carga, e pela ordem em que são aplicadas as cargas. De acordo com a bibliografia analisada, parece existir neste aspeto em particular alguma semelhança nos vários tipos de microciclo dos modelos de periodização clássica e contemporânea, com objetivos semelhantes:

  • Microciclo de ajuste – É o microciclo específico à fase preparatória do treino e que visa preparar o organismo para os microciclos com cargas mais elevadas.
  • Microciclo de carga - Tem como objetivo melhor a capacidade de rendimento do atleta, tendo uma magnitude de carga média, sendo utilizados geralmente entre os microciclos de ajuste e de choque.
  • Microciclo de choque - São microciclos com aplicação de cargas muito fortes, com o objetivo de estimular as adaptações do organismo nas diversas capacidades físicas exigidas.
  • Microciclo de ativação - Estes microciclos têm uma dinâmica de cargas muito específica, que têm como objetivo afinar a preparação do atleta de modo a poder competir nas melhores condições. No planeamento estes microciclos são elaborados antes dos microciclos de competição.
  • Microciclo de competição - São aqueles que integram a competição objetivo, onde a magnitude das cargas tem uma relação muito próxima com a recuperação, permitindo assim que seja potenciada a supercompensação para que o atleta esteja nas suas máximas capacidades físicas. Este microciclo não apresenta uma estrutura definida, pois é muito específico de acordo com a competição, devendo apenas ser levado em conta que todas as ações devem procurar que o atleta seja o mais eficaz possível no dia da competição.
  • Microciclo de recuperação - Têm como objetivo a recuperação do atleta, de forma a favorecer a regeneração e prevenir sobrecarga. São aplicados após os microciclos de choque e microciclos de competição.


Preparação física:

Conceito de Atividade física:

A atividade física é todos os movimentos que realizamos no dia-a-dia com o nosso corpo, ou seja, o simples facto de sair de casa descer as escadas e andar para a paragem do autocarro já é uma atividade física porque estamos a movimentar-nos. A atividade física é algo que não é programado, não precisa de tempo, de planeamento, de objetivos, não é preciso nada porque é apenas o facto do nosso corpo poder se movimentar.

Benefícios da atividade física:

A pratica regular de atividade física beneficia em muitas questões da saúde como na melhora da circulação do sangue, ajuda a perder peso, fortalece o sistema imunológico (conjunto de órgãos, tecidos e células responsáveis pelo combate a microrganismos invasores impedindo o desenvolvimento de doenças), diminuí o risco de doenças cardiovasculares e cardíacas e ajuda no fortalecimento da massa óssea.

Com isto também há outras coisas que ajudam a melhorar que não seja físico, o psicológico é um exemplo, se virmos que fisicamente estamos a perder peso ou mesmo só o facto de fazer e ainda não exista um resultado muito desenvolvido a pessoa vai se sentir muito melhor com ela mesma.

Conceito de Exercício físico:

O exercício físico é algo que é planeado pela pessoa para atingir diferentes objetivos e esses planeamentos são específicos para cada pessoa, e depende de 7 princípios de treino fundamentais que são:

  • Individualidade Biológica
  • Sobrecarga
  • Adaptação
  • Continuidade
  • Especificidade
  • Reversibilidade
  • Variabilidade

Individualidade Biológica:

Existe uma tendência geral do ser humano a responder a um estímulo, existem características individuais que modelam esta resposta, tais como, fatores hormonais, genéticos e anatómicos, isto quer dizer que apesar de esperarmos uma certa resposta ao treino dado, este pode ser limitado por outros fatores

Sobrecarga:

Ao longo do treino vai havendo várias adaptações a ocorrer no nosso corpo com isso o mesmo fica mais apto a superar os desafios impostos pelo treino e tendencialmente o estímulo deixa de ser suficiente, com isto precisamos de impor desafios mais difíceis de serem realizados e que o corpo não está apto para atingir.

Adaptação:

A adaptação é o progresso daquilo que é a sobrecarga porque com a sobrecarga do exercício irá haver rompimento de algumas fibras (sarcómeros), impondo alterações fisiológicas e hormonais, reorganizando os tecidos para vencer os novos desafios impostos, esta resposta do nosso corpo leva à construção de mais fibras musculares (hipertrofia).

Continuidade:

Sem a continuidade do treino o nosso corpo não vai conseguir estar apto para superar os desafios que nos estão à frente. Amassa muscular é um tecido dispendioso, energicamente falando, e para o manter ele tem de ser exercitado com regularidade, caso contrário será eliminado. Por isso é que o estímulo do treino deve ser contínuo.

Especificidade:

A especificidade é as características do estímulo de treino que deverão obrigatoriamente ter em conta as alterações que queremos proporcionar no sujeito. Ou seja, se nós quisermos que o atleta desenvolva por exemplo o core nós precisamos de realizar exercícios específicos para desenvolver o core.

Reversibilidade:

O princípio da reversibilidade é quando uma pessoa que pratica exercício físico regularmente e para de o fazer por questões pessoais, essa pessoa vai ter uma reversibilidade no que costumava fazer, ou seja, se a pessoa fizer um plano de treinos em um ginásio durante 5 dias na semana, com uma paragem de 2 semanas, por exemplo, quando ela voltar até pode fazer os 5 dias de treino, mas não vai conseguir utilizar a mesma carga que usava antes.

Variabilidade:

A variabilidade é a diversificação de exercícios que fazemos no nosso treino, isto serve e ajuda a criar sempre estímulos à medida que vamos variando exercícios, quanto maior a variabilidade de exercícios melhor o corpo vai responder aos treinos.

Método Integrado de Preparação Física para Futebol de Alto Rendimento

1. Avaliação Inicial e Monitoramento Contínuo

  • Testes Físicos: VO₂máx (yo-yo test), potência (saltos), velocidade (10m e 30m), agilidade (T-Test), força máxima (1RM), mobilidade articular.

  • Triagem de lesões: FMS (Functional Movement Screen), histórico médico.

  • Monitoramento contínuo: GPS, frequência cardíaca, RPE (percepção de esforço), carga aguda x carga crônica (ACWR).

2. Periodização Integrada (Modelo Ondulatório Integrado)

  • Divisão do ano em:

    • Pré-temporada (4-6 semanas)

    • Temporada competitiva

    • Período de transição (férias e recondicionamento)

Uso do modelo ondulatório para variações semanais de carga (evita platôs e overtraining).

3. Componentes Semanais (Microciclo de Alta Performance)

Dia Ênfase Física Treino Técnico-Tático Observações
2º Feira Regenerativo + Core + Mobilidade Leve Pós-jogo
3º Feira Força máxima (superior e inferior) + Velocidade curta Técnico Carga alta
4º Feira Potência (saltos, pliometria, sprints) Tático coletivo Carga moderada
5º Feira Resistência específica (HIIT com bola) Situações de jogo Alta intensidade
6º Feira Velocidade de decisão (agilidade + tomada de decisão) Bola parada + ajuste Baixa intensidade
Sábado Jogo - Competição
Domingo Off / recuperação ativa - Individualizado

4. Capacidades Desenvolvidas

  • Força/hipertrofia funcional: ênfase na cadeia posterior (glúteo, isquiotibiais, lombar).

  • Potência e velocidade: treino de sprints curtos, arranques, mudança de direção, pliometria (bi e unipodal).

  • Resistência específica: HIIT com bola (4x4min/3min), SSGs (jogos reduzidos) com restrições táticas.

  • Agilidade e cognição: drills com estímulos visuais e auditivos, decisões rápidas sob fadiga.

  • Prevenção de lesões: treino neuromuscular, propriocepção, excêntrico (Nordic Hamstring), controle motor.

5. Tecnologia e Recuperação

  • Recursos utilizados: GPS, termografia, wellness reports, crioterapia, massoterapia, compressão pneumática.

  • Sono, nutrição e psicologia esportiva integrados ao plano físico.

✅ Exemplo de Sessão de Potência + Sprint Curto (45 min)

  1. Aquecimento ativo (10 min) – mobilidade dinâmica, skipping, carioca.

  2. Pliometria (10 min) – saltos verticais unipodais e bipodais com tempo de contato curto.

  3. Sprint (10 min) – 4-6 sprints de 10-20m com foco na aceleração.

  4. Treino resistido (10 min) – sled push/pull (carga leve a moderada).

  5. Core + prevenção (5 min) – prancha, ponte com bola, nordic curls.



Psicológico do atleta:

Formulário de Avaliação Psicológica do Atleta de Futebol

I. Informações Básicas

  • Nome completo:

  • Idade:

  • Posição em campo:

  • Clube:

  • Data da avaliação:

II. Autoavaliação Psicológica (Escala de 0 a 10)

(0 = totalmente insatisfeito / 10 = excelente)

Item Pontuação (0–10) Observações
Confiança em si mesmo
Controle emocional (nervosismo, ansiedade)
Concentração durante os jogos
Capacidade de lidar com críticas
Motivação para treinar e evoluir
Capacidade de superação (resiliência)
Relacionamento com a equipe
Sono e qualidade de descanso
Nível de estresse fora do futebol

III. Questionamentos Qualitativos

  1. O que mais te desestabiliza emocionalmente antes ou durante os jogos?

  2. Como você reage após cometer um erro em campo?

  3. Você sente pressão por parte da torcida, da família ou da comissão técnica? Como lida com isso?

  4. Você já pensou em desistir ou duvidou do seu talento? Por quê?

  5. Quais hábitos você tem para cuidar da sua mente (ex: leitura, meditação, conversa com psicólogo)?

🧠 Plano de Ação – Como Elevar o Psicológico ao Nível de Elite

1. Treinamento Mental (3–5x por semana)

  • Visualização guiada: imagine cenários de sucesso em campo (gols, desarmes, passes).

  • Respiração e mindfulness: 10 minutos por dia para regular ansiedade.

  • Afirmações positivas: "Estou pronto", "Confio em mim", "Erros fazem parte do processo".

2. Psicologia Esportiva (consultas semanais ou quinzenais)

  • Acompanhamento individual com psicólogo do esporte.

  • Trabalhar gatilhos emocionais, autoconfiança e preparação para jogos decisivos.

  • Técnicas de TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) voltadas ao esporte.

3. Rotina Mental de Pré-jogo

  • Criar ritual mental personalizado (ex: escutar música específica, respiração + visualização).

  • Evitar redes sociais e notícias negativas 3h antes do jogo.

  • Conversa motivacional interna ou com profissional.

4. Controle de Estresse Fora do Campo

  • Dormir 7h a 9h por noite.

  • Limitar uso de celular antes de dormir.

  • Ter hobbies fora do futebol (leitura, violão, passeio, família).

5. Suporte e Comunicação

  • Fortalecer a confiança com a comissão técnica e psicólogo.

  • Ter alguém de confiança para desabafar (mentor, familiar ou colega).

  • Participar de rodas de conversa no clube com outros atletas.

6. Autoavaliação Mensal

Revisar o formulário acima a cada 30 dias para acompanhar a evolução mental.


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